
Quem leva água potável, comida e medicamentos até às comunidades mais distantes na região do Xingu, está encalhado. Com os rios cada vez mais secos, navegar em filetes de água não é tarefa fácil e nem todos se arriscam. Pelo caminho, a imagem é de desolação. A vegetação às margens do rio está seca, e as pedras que antes ficavam submersas, agora estão no caminho, por toda parte.
"Só pedra, areia. O rio tá seco, não tem como a gente passar.", registra um morador.
Localizadas no território de Altamira, no sudoeste do Pará, as Reservas Extrativistas do Rio Iriri e do Riozinho do Anfrízio abrigam centenas de famílias tradicionais, os ribeirinhos. Comunidades que vivem da pesca e da produção artesanal do que extraem da floresta, e que dependem do rio para receber atendimentos de saúde, por exemplo.
A distância da Reserva Extrativista Riozinho do Anfrízio da sede do município é de cerca 370 km, e quase 440 km separam a Reserva do Rio Iriri e a área urbana de Altamira. Para quem utiliza as estradas, uma viagem como essa, até a cidade, levaria poucas horas, no máximo umas cinco horas sem nenhuma parada, mas quando a estrada é o rio, a história é outra, e essa mesma viagem pode levar dias.
É pelas águas que os estudantes vão para a escola, em canoas ou embarcações mantidas pela prefeitura. Com a seca, barcos de grande porte não passam, e o jeito é improvisar. Enquanto as crianças esperam ali mesmo, dentro d'água, os pilotos se unem e empurram as embarcações, tentando passar sobre as pedras. Em algumas comunidades, os alunos já não conseguem mais chegar às escolas.
Secas e cheias são fenômenos normais nos rios da região Amazônica, mas segundo a meteorologia, em 2023 dois fenômenos climáticos simultâneos vêm colaborando para essas secas. O primeiro é o El Niño, que aquece as águas do pacífico e dificulta a formação de chuvas na Amazônia.
O segundo fenômeno é o aquecimento anormal das águas do Atlântico, que também reduz a quantidade de chuvas na região. Na região os rios Iriri e Anfrízio já baixaram drasticamente o volume de água, e o Xingu começa a dar sinais de que o mesmo cenário pode chegar mais perto das cidades.
Sem condições de se locomover nas reservas, os ribeirinhos sofrem e pedem ajuda ao município. Em nota, a Prefeitura de Altamira informou que já iniciou uma operação de atendimento emergencial a essas famílias. Em parceria com o Governo do Pará, com apoio do Graesp, cestas básicas estão sendo enviadas às comunidades para minimizar os impactos provocados pela seca na região. A ação iniciou nesta quarta-feira (25).
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