BRASIL NOVO CACAU EM BAIXA
Preço do cacau despenca e preocupa produtores
Os produtores da Transamazônica sentem no bolso a queda no preço do produto, que é a principal fonte de renda das famílias.
26/09/2025 16h21
Por: Redação Fonte: Com informações Confirma Notícia

O Robson mantém um sítio em Medicilândia, no sudoeste do Pará, onde cultiva cacau por meio dos SAFs – sistemas agroflorestais. A sombra das árvores nativas é fundamental para o desenvolvimento das plantas e, ao mesmo tempo, contribui para a preservação do meio ambiente. Em 2024, no auge do preço do cacau certificado, ele chegou a receber mais de R$70 por quilo – uma realidade bem diferente da atual.

O preço do cacau está em queda em 2025 no Brasil que detém ainda cerca de 5% da produção cacaueira do planeta. Segundo os especialistas, o motivo principal vem de fora: a África, que produz cerca de 70% do cacau do mundo, teve uma safra maior com ajuda do clima e isso derrubou as cotações internacionais.

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No ano passado, o cenário era outro: países africanos sofreram com a baixa na produção devido às pragas e doenças e às situações climáticas. Era pouco cacau para muita demanda o que fez o preço subir, agora com a recuperação da safra de países africanos, e ao mesmo tempo, com a indústria de chocolate reduzindo o uso do produto pelo valor que estava alto, a procura diminuiu. 

''É um produto que depende da bolsa de valores e do preço do dolar, nós não temos comando do valor do nosso produto. Ano passado, por exemplo, foi um ano muito átipico, de um jeito bom para nós, um ano onde o cacau estava lá encima. Num certo momento o cacau chegou a 73kg já no ano anterior em 2023 a média da safra foi de 15kg''

A região cortada pela BR-230 concentra a maior produção de cacau do Brasil: daqui sai cerca de 40% de toda a produção nacional. Assim como acontece na Bahia, os produtores da Transamazônica sentem no bolso a queda no preço do produto, que é a principal fonte de renda das famílias.

Na Transamazônica e Xingu, a amêndoa já começa a ser vendida a partir de R$ 20 reais o quilo. Entre as estratégias para conseguir um preço melhor estão: negociar diretamente com a indústria, investir em qualidade e buscar certificações, que podem agregar valor.

Além disso, fazer a verticalização do produto, como fabricar o chocolate da amêndoa produzida nas propriedades e não abrir mão da tecnologia e insumos de qualidade que são fundamentais para manter a produtividade em um cenário tão desafiador.