ALTAMIRA TRAGÉDIA
Assurini: moradores afirmam que fio energizado estaria solto há dois dias
População diz que fez vários pedidos de reparo à concessionária antes da tragédia que matou pai e filha na área rural de Altamira
21/01/2026 13h07
Por: Redação Fonte: Com informações Confirma Notícia

Após a tragédia que matou pai e filha e deixou duas crianças feridas na área rural de Altamira, no sudoeste do Pará, testemunhas relatam que o fio energizado estaria solto há pelo menos dois dias e que não teria se rompido exatamente no momento da passagem da moto em que as vítimas estavam.

Ainda segundo testemunhas, o pai identificado por Francisco Ronildo Araújo, de 44 anos, conhecido como "Nenzinho" e a filha Roniele Silva Araújo, de 24 anos, retornavam da casa dela em uma motocicleta com mais duas crianças quando foram eletrocutados na Gleba Assurini.

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Um menino de 3 anos ficou gravemente ferido e a irmã de um ano também sofreu queimaduras. Eles foram socorridos e encaminhados ao Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT) onde seguem internados. O mais velho passou por intervenção cirúrgica na última terça-feira. O caso ainda é considerado grave.

"O fio estava caíndo no chão. Só que ele estava há uns dois metros de altura e quando ele passou, tropeçou no fio. Todo mundo fala que desde de sábado estava caído esse fio. Fizemos muitas ligações para eles e eles nunca vieram atender aos pedidos, só depois que acontece essa tragédia que eles vão atender. Quando eles foram atender lá, que eu tirei o casal lá de baixo, eles chegaram, botaram a escada, subiram e levantaram o fio.", afirma a testemunha.

A despedida do avô e da mãe dos pequenos foi marcada por forte comoção, principalmente na comunidade rural que a família pertencia. Francisco era agricultor e apaixonado por torneios de futebol. Roni, era a filha mais velha e no momento se dedicava aos cuidados com o casal de filhos. 

Mas esse não foi o único caso envolvendo fios de alta tensão na Assurini. Em agosto de 2025, a professora Maria Aparecida Torres, de 53 anos, morreu ao ser atingida na estrada por um um fio que se rompeu de um poste em chamas na localidade das quatro bocas. Após os acidentes, existem denúncias de que supostamente por conta da demora da concessionária, em algumas comunidades, há pessoas por conta própria realizando os serviços, um risco para a segurança de quem manuseia e ainda para a própria comunidade. 

Os moradores estão com medo e cobram manutenção periódica da concessionária de energia. Alguns flagrantes estão sendo feitos, como esse, onde o morador relata que o fio está rompendo e que já teria pedido reparos à empresa responsável, mas que existe demora em atender a solicitação. 

Por meio de nota, a Equatorial respondeu que a equipe faz o levantamento de material para atender a demanda. Já sobre a tragédia que matou pai e filha, disse que lamenta o acidente ocorrido na Gleba Assurini e se solidariza com os familiares e amigos neste momento de dor. A Distribuidora informou que, assim que tomou conhecimento do ocorrido, acionou e encaminhou equipes técnicas para realizar uma vistoria no local, bem como colaborar com as autoridades na apuração e no esclarecimento dos fatos. Durante a inspeção, foi constatado que a árvore envolvida no acidente estava localizada a uma distância aproximada de 25 a 30 metros da rede elétrica, fora da área de servidão. A empresa informa ainda que, após o incidente, houve intervenção de terceiros na rede elétrica para a normalização do fornecimento, prática considerada insegura e que oferece riscos à integridade das pessoas e à operação do sistema elétrico. A Equatorial Pará reforça que qualquer intervenção na rede deve ser realizada exclusivamente por equipes autorizadas, seguindo os critérios técnicos e de segurança.