POLÍCIA PRISÃO
Polícia deve pedir prisão de coronel casado com PM encontrada morta
O caso vinha sendo tratado como suicídio
11/03/2026 12h47 Atualizada há 4 horas
Por: Redação

A Polícia Civil deve solicitar a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde o casal morava no bairro do Brás, na região central de São Paulo.

Inicialmente, havia a informação de que o pedido de prisão já teria sido formalizado pela polícia. No entanto, de acordo com fontes da Secretaria da Segurança Pública (SSP), até a atualização mais recente das informações, por volta das 16h36, o requerimento ainda não havia sido oficialmente encaminhado à Justiça.

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O caso vinha sendo tratado inicialmente como suicídio, mas passou a ser investigado como morte suspeita após o avanço das apurações. Em depoimento, o tenente-coronel afirmou que a esposa teria tirado a própria vida após uma discussão em que ele teria comunicado a intenção de se separar. Segundo ele, no momento do disparo estava no banheiro tomando banho e, ao ouvir o barulho, saiu do cômodo e encontrou a mulher ferida na sala. A família da policial, entretanto, contesta essa versão.

Gisele chegou a ser socorrida por equipes de resgate, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. Perícias técnicas, imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas fazem parte do conjunto de provas analisadas pelos investigadores para reconstruir o que ocorreu no apartamento no dia do crime.

Laudo aponta sinais de esganadura
O laudo necroscópico revelou a presença de lesões no pescoço e no rosto da vítima, indicando que ela pode ter sido esganada e ter desmaiado antes de ser baleada na cabeça.

O documento foi elaborado após a exumação do corpo, realizada na sexta-feira (6/3). Nele, os peritos apontam que as lesões foram provocadas por “pressão digital e escoriações compatíveis com marcas de unhas”, o que reforça a suspeita de agressão antes do disparo.

Movimentação no apartamento após o crime
Uma testemunha que trabalha no condomínio relatou que diversas pessoas estiveram no apartamento após a ocorrência. Segundo o depoimento, três policiais teriam entrado no imóvel por volta das 17h48 do mesmo dia para realizar a limpeza do local.

Ainda de acordo com o relato, o tenente-coronel teria retornado ao apartamento posteriormente para buscar alguns pertences antes de viajar para São José dos Campos, no interior paulista.

A testemunha afirmou também que, após o atendimento inicial à vítima, o militar permaneceu no corredor do prédio falando ao telefone e conversando com policiais que atendiam a ocorrência. Em determinado momento, ao ser informado de que a esposa ainda estava viva, ele teria afirmado que “ela não vai sobreviver”.

Dinâmica da ocorrência
Gisele Alves Santana foi baleada dentro do apartamento por volta das 7h da manhã. Equipes de resgate foram acionadas e realizaram manobras de reanimação no local. A policial foi levada em estado gravíssimo ao Hospital das Clínicas, mas morreu por volta das 12h do mesmo dia em decorrência de traumatismo cranioencefálico.

Em depoimento à polícia, o marido afirmou que encontrou a esposa caída no chão da sala, com a arma nas mãos, logo após ouvir o disparo enquanto estava no banheiro.

Depoimentos divergentes
O tenente-coronel declarou que acionou o resgate da Polícia Militar e também pediu que um amigo desembargador fosse até o local. Durante o depoimento, um delegado questionou o fato de ele ter retornado ao apartamento posteriormente para tomar banho. O militar respondeu que passaria um longo período fora de casa.

Ele também afirmou que não era aceito pela família da esposa e que já havia iniciado um processo de divórcio, o que teria provocado uma reação negativa por parte da policial e motivado o suposto suicídio.

A mãe de Gisele, porém, apresentou uma versão diferente à polícia. Segundo ela, a filha vivia um relacionamento conturbado e o marido teria comportamento abusivo e violento. A mulher relatou ainda que o tenente-coronel controlava até aspectos da aparência da policial, como o uso de batom e salto alto.

De acordo com o depoimento, cerca de uma semana antes da morte, Gisele teria ligado para os pais pedindo que fossem buscá-la, afirmando que não suportava mais a pressão no relacionamento e que desejava se separar. (Com Metrópoles)