Uma adolescente de 17 anos foi vítima de uma tentativa de execução atribuída a integrantes de uma organização criminosa na última quarta-feira, 20 de maio, em Altamira, no sudoeste paraense.
A jovem foi encontrada com diversos ferimentos provocados por arma branca, incluindo cortes nas mãos, no pescoço e na região do tórax. Segundo a polícia, os indícios apontam que ela teria sido submetida a uma espécie de “tribunal do crime”.
O caso mobilizou equipes das polícias Militar e Civil, além da 4ª Companhia Independente de Missões Especiais (4ª CIME), por meio da Delegacia de Homicídios, que passou a investigar o ocorrido.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, as forças de segurança receberam uma denúncia informando que a adolescente estaria sendo mantida em cárcere por integrantes da mesma facção criminosa ligada a dois suspeitos já presos anteriormente por tráfico de drogas.
“Recebemos a informação de que essa jovem estava com a liberdade restrita e poderia estar sendo torturada. A partir disso, reunimos equipes da Polícia Civil, Polícia Militar e 4ª CIME para tentar localizar e resgatar a adolescente”, explicou o delegado da Policia Civil, Estefano Alves.
Durante as diligências, os policiais foram informados de que a vítima havia sido encontrada ferida e ensanguentada, sendo socorrida para o Hospital Regional Público da Transamazônica. Ainda conforme o delegado, a jovem estava consciente e conseguiu relatar detalhes do crime.
Segundo relato da vítima, ela estava no bairro Viena, por volta das 15h, quando foi abordada por ocupantes de um veículo vermelho e levada à força para a região do bairro Buriti. Em uma residência utilizada como cativeiro, a adolescente passou a ser torturada pelos criminosos. Enquanto um dos suspeitos desferia os golpes contra a vítima, outro registrava as agressões em vídeo.
As investigações também contaram com o auxílio de imagens do sistema de monitoramento do Centro Integrado de Segurança Pública, que ajudaram na identificação do veículo supostamente utilizado pelos criminosos.
Com base nas informações levantadas, a Polícia Militar conseguiu localizar um dos suspeitos, identificado como Rogério, por volta das 20h, do mesmo dia, no bairro Brasília. Ele foi preso em flagrante durante a abordagem.
Ainda segundo a polícia, Rogério confessou participação no crime e admitiu ter levado a vítima, juntamente com outro homem, até o imóvel onde ocorreram as agressões. O segundo suspeito segue foragido.
A adolescente relatou ainda que Rogério mantinha um relacionamento amoroso com ela, mas, conforme a investigação, o crime não teria relação com violência doméstica.
De acordo com o delegado, a principal linha de investigação aponta que os criminosos suspeitavam que a jovem estivesse repassando informações à polícia, motivo pelo qual ela teria sido “decretada” pela facção criminosa.
“Ela foi levada para esse local com a intenção de ser executada. Após os golpes, permaneceu imóvel, fazendo com que os suspeitos acreditassem que ela estivesse morta. Quando eles fugiram, ela conseguiu se levantar e pedir ajuda”, afirmou o delegado.
A adolescente permanece internada no Hospital Regional, onde recebe atendimento médico. O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Altamira.
Com A Voz do Xingu