Uma denúncia anônima mobilizou Conselho Tutelar e Polícia Militar e terminou com o resgate de uma criança de 12 anos, na gleba Assurini, área rural de Altamira, sudoeste paraense. Segundo as autoridades, o homem apontado como autor alegou ter autorização da mãe para manter o relacionamento com a menina, argumento que não altera o enquadramento do caso como crime.
A denúncia anônima recebida pelo Conselho Tutelar apontava que a criança estaria em situação de abuso no Travessão do Espelho. Diante da gravidade do caso, o órgão pediu apoio da Polícia Militar e seguiu até o local. Ao chegarem ao endereço, as equipes encontraram a menina, fizeram o acolhimento e a retiraram do ambiente para garantir proteção e o encaminhamento à rede de atendimento.
Durante o atendimento, novas informações levaram as equipes até o homem apontado como responsável pela situação. Segundo a Polícia Militar, foram percorridos cerca de 90 quilômetros até o local indicado.
Ele também afirmou ao Conselho Tutelar acreditar que não cometia crime porque teria autorização da mãe da menina para que os dois permanecessem juntos.
Conforme apurado pelas equipes, a mãe da menina teria viajado para Uruará para resolver questões pessoais e deixado a filha sob os cuidados do homem, que seria seu namorado. Segundo as informações recebidas pelos órgãos envolvidos, a criança estaria com ele desde o dia 20 de maio.
Além da investigação sobre violência sexual, a mãe também poderá responder pelos desdobramentos do caso, incluindo possível abandono de incapaz, já que teria deixado a filha aos cuidados de uma pessoa que estaria mantendo relação com ela.
A própria menina teria afirmado que permaneceu na situação por vontade própria. Ainda assim, o Conselho Tutelar reforça que a legislação não reconhece consentimento válido em casos envolvendo crianças dessa faixa etária.
Após a confissão relatada pela Polícia Militar, o homem foi conduzido até a Delegacia de Polícia Civil para os procedimentos legais. Já a criança foi encaminhada para acolhimento especializado, onde deverá passar por escuta especializada e exame pericial. O Conselho Tutelar também informou que fará o registro do caso junto à delegacia especializada no atendimento de crianças e adolescentes.