Os trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos cruzam os braços por tempo indeterminado a partir desta sexta-feira (11), com adesão confirmada em agências de todo o Pará e de outros 24 estados brasileiros, em meio a um impasse nas negociações trabalhistas.
O sindicato destacou, ainda, que o cenário nacional reflete uma mobilização ampla, abrangendo dezenas de bases sindicais em quase todo o território nacional, motivada pela falta de avanços na mesa de negociação da campanha salarial.
A Superintendência dos Correios no Pará informou que, diante do anúncio de paralisação por entidades sindicais, a empresa esta executando o Plano de Continuidade de Negócios, com medidas para garantir a manutenção dos serviços e minimizar eventuais impactos aos clientes. "Entre as ações, estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e a adoção de medidas logísticas específicas para preservar a regularidade das entregas em todo o país", detalhou.
Os Correios também afirmam que apresentaram uma proposta para contemplar 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente, incluindo o reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, e a manutenção da assistência à saúde dos empregados. "Mais informações serão divulgadas oportunamente", acrescentou a nota.
O principal fator motivador da paralisação é a tentativa da direção da estatal de alterar o plano de saúde dos funcionários, ponto considerado inegociável pela Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect). A decisão ocorre após sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST) terminarem sem acordo.
Paralelamente ao conflito trabalhista, a empresa enfrenta um cenário de forte restrição orçamentária, acumulando 15 trimestres consecutivos no vermelho e um prejuízo de R$ 5,6 bilhões registrado apenas no primeiro semestre deste ano, com previsão de captar um empréstimo bilionário para tentar reequilibrar as contas.