
“O câncer de esôfago é um dos cânceres que gera maior morbidade entre as pessoas”, afirma Luis Eduardo Werneck, médico oncologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC). A classificação se dá porque o tipo de câncer faz com que o paciente tenha lesões na garganta, esôfago e perda de peso acentuada — em alguns estágios graves, o paciente não consegue se alimentar e entra em estado extremo de desnutrição.
Dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), conforme o Painel de Oncologia do Ministério da Saúde, mostram que o Pará registrou 67 casos de câncer de esôfago em 2024 e 46 casos da doença em 2025, e que ainda não há registros de 2026 no sistema. Quanto aos óbitos, o Pará registrou 118 óbitos em 2024 por câncer de esôfago, 144 em 2025 e 33 de janeiro a março de 2026.
“Os principais fatores de risco estão relacionados à dieta, ou seja, pessoas obesas têm mais chance, mas não é muito ligado à obesidade. Está muito ligado ao álcool e ao fumo, comum em regiões do Brasil e especialmente na Ásia”, diz o médico oncologista.
Segundo o vice-presidente da SBC, no sul do Brasil, a incidência é 18 vezes maior do que no Norte, por conta do excesso de ingestão de bebidas quentes, como o chimarrão. “No caso do chimarrão, a pessoa fica ingerindo o dia todo aquela bebida quente. Isso causa mutação na pele, no epitélio, na mucosa do esôfago e causa alterações que vão gerar a primeira lesão maligna”, informa.
A perda de peso e a dificuldade para engolir são os primeiros sintomas. O quadro não costuma causar dor e sangramento, e seu diagnóstico é feito pela endoscopia com biópsia. Depois, os profissionais podem realizar outros exames, como a tomografia, para avaliar se o câncer está localizado ou se ele já se espalhou para outras áreas com metástase, especialmente para os pulmões, que é quando ele pode se tornar fatal.
Manter uma dieta rica em frutas é uma forma de diminuir a mutação gerada por bebidas quentes em excesso. Além disso, ingerir leguminosas também podem auxiliar a proteger contra mutações que surgem com o uso de cigarro. Evitar o álcool e o cigarro também são medidas essenciais para evitar o câncer de esôfago.
“Continua sendo difícil tratar o câncer de esôfago, pois ele responde pouco ao tratamento. Nós não temos muitos marcadores genômicos e moleculares para esse câncer. Especialmente o marcador PI3K, é mais importante porque nós temos medicação, terapia específica para esses casos e os pacientes respondem melhor”, pontua.
O médico oncologista destaca que os maiores índices do tipo de câncer são encontrados no sul da Ásia e na Índia. “Avançamos muito no câncer de mama, muito no câncer de intestino, mas o avanço no câncer de esôfago foi muito pequeno”, diz.
O tratamento varia conforme o estágio do paciente. “Estágio 1 e 2 é cirurgia. Estágio 3 é radioterapia com quimioterapia. E estágio 4, quando já tem metástase ou 3 avançado, a gente combina a imunoterapia, que é a grande novidade do tratamento oncológico, com posteriormente, se for possível, a cirurgia para retirar a lesão residual” detalha o médico oncologista.
No Pará, as ações de prevenção do câncer de esôfago são realizadas nas campanhas da Sespa ao longo do ano. A detecção e o diagnóstico precoce são muito importantes, por meio de consulta de primeira vez para casos diagnosticados ou com alta suspeita, podendo ser realizada na Rede Básica de Saúde, que é a porta de entrada do SUS, Policlínicas, Centros de Referências e Hospitais de alta complexidade, e consulta em cirurgia de cabeça e pescoço, conforme Protocolo de Acesso de Média e Alta Complexidade em Oncologia.
Quanto ao tratamento em alta complexidade dos cânceres pelo SUS no Pará, é oferecido no Hospital Ophir Loyola e no Hospital Barros Barreto, em Belém; no Hospital Regional de Castanhal; no Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém; no Hospital Regional de Tucuruí e Hospital Regional do Sudeste do Pará “Dr. Geraldo Veloso”, em Marabá. (Com Oliberal)
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