
Para muitos, a hora da soneca depois do almoço é quase regra, e se for numa rede confortável, aí não tem conversa. A chamada “sesta paraense” é tradição que passa de avós para netos há tempos e agora faz parte da vida de quem ainda nem sabe pronunciar o nome desse utensílio de descanso criado por indígenas há mais de 2.500 anos. Estamos falando da ‘Redeterapia’, novo projeto do Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, sudoeste do Estado.
Voltada para crianças da Unidade de Terapia Intensiva (UTI Neonatal e Pediátrica), a Redeterapia tem uma proposta simples, mas eficaz: proporcionar maior conforto durante o tratamento, auxiliando na recuperação de bebês que passaram semanas em incubadoras, como Aghata Sophia Paixão dos Santos, de dois meses. “Está se sentindo confortável, dá uma sensação de aconchego”, observa a mãe, Bianca Paixão Consoli, ao balançar a filha. A atividade é supervisionada pela técnica em Enfermagem Rosiene dos Santos Silva. “A gente não coloca por conta própria. O nosso coordenador que fala o momento. Aí, a gente coloca o bebê na redinha, embala e fica pertinho. Nunca deixa o bebê sozinho”, assegura.
Principal porta de entrada para pacientes de nove municípios, o Hospital Regional Público da Transamazônica tem na humanização uma das ferramentas mais importantes para a execução do tratamento de adultos e crianças. No caso de prematuros e extremamente prematuros, a Redeterapia soma-se a outras iniciativas pioneiras no interior do Pará, implementadas na unidade. O foco é sempre o bem-estar do paciente, afirma o coordenador das UTIs Neonatal e Pediátrica, Cleiton Araújo. “O projeto baseia-se no processo de neurodesenvolvimento do bebê. Através de pesquisas, a gente visou, idealizou e iniciou a construção dessa etapa de proteção do bebê prematuro”, explica.
Rede de sentimentos - A tradição de dormir ou mesmo tirar um pequeno cochilo em rede é uma prática marcante na identidade paraense. O HRPT levou essa experiência para dentro da área dedicada ao cuidado de crianças que nascem antes do tempo e necessitam de atenção especial. O procedimento deu certo imediatamente e garantiu elogios de mães, como Bianca Consoli. “Está sendo bom e a sensação de logo ir para casa é maravilhosa. Quando a gente for para casa vai ter uma redinha esperando” para a filha.
Não é apenas um breve momento de descanso. O uso da rede como parte do tratamento na UTI Infantil tem efeitos que vão além. É terapia que conecta os bebês a sentimentos empíricos que pulsam cada vez que a rede balança. Está no DNA, analisa Ana Katia Menezes, psicóloga assistencial. “O balanço suave, aliado a um ambiente tranquilo e com pouca luminosidade, ajuda a reduzir o estresse, acalmar o bebê e contribuir para sua saúde mental desde os primeiros dias de vida”.
A técnica reproduz o ambiente que serviu de abrigo para a criança durante a gestação e liga sensores psicológicos. “O posicionamento cuidadoso do recém-nascido na rede proporciona uma sensação semelhante ao útero materno, favorecendo segurança, aconchego e organização do sono”, conclui Ana Kátia Menezes.
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