
O vigilante Willame de Lira Lopes, de 35 anos, apontado pela Polícia Militar como autor do ataque a tiros que terminou com três mortes e deixou uma mulher gravemente ferida em Juruti, no oeste do Pará, na noite de sexta-feira (31), já havia sido preso por violência doméstica menos de um mês antes da tragédia.
Conforme documentos da Justiça obtidos pela reportagem, Willame foi preso em flagrante no dia 3 de julho, suspeito de lesão corporal no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. De acordo com o auto de prisão, ele teria agredido a então companheira, ameaçado a vítima com uma faca e a impedido de pedir ajuda após as agressões.
Na audiência de custódia, realizada no mesmo dia, o juiz homologou o flagrante e converteu a prisão em preventiva. Na decisão, destacou a gravidade do caso, a possibilidade de reiteração criminosa e o fato de o investigado trabalhar como vigilante, profissão que lhe dava acesso a arma de fogo durante o expediente.
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Após atirar nas vítimas, Willame de Lira Lopes, atirou na própria cabeça em Juruti — Foto: Reprodução
No entanto, em 10 de julho, a prisão preventiva foi revogada. Ao analisar o pedido da defesa e a manifestação do Ministério Público, o magistrado entendeu que a liberdade do acusado, aliada à imposição de medidas cautelares e protetivas, seria suficiente para resguardar a ordem pública e a instrução do processo.
Segundo os documentos judiciais, Willame era réu primário, tinha ensino médio completo, trabalhava como vigilante e não possuía registros de processos criminais anteriores.
Entre as medidas impostas estavam a obrigação de manter o endereço atualizado, comparecer periodicamente em juízo, proibição de frequentar bares e casas noturnas, além do afastamento da vítima, proibição de contato por qualquer meio, de se aproximar a menos de 100 metros e de frequentar os locais habitualmente frequentados por ela. Também foi determinada a proibição de portar arma de fogo, exceto durante o trabalho e sob supervisão da empresa.
Na noite de sexta-feira (31), segundo a Polícia Militar, Willame invadiu a casa da ex-companheira, Frandeilza de Sousa dos Santos, e atirou contra o atual companheiro dela, Wellington Sousa dos Reis, que morreu ainda no local.
Em seguida, o vigilante entrou em um dos quartos da residência e disparou contra Frandeilza e contra a filha do casal, Maria Luz de Sousa Lopes. A criança foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Após o ataque, Willame morreu, atirando na própria cabeça.
Frandeilza também foi socorrida e permanece internada em estado grave. A Polícia Civil segue com as investigações.
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